E assim caminha a humanidade: a metáfora do caminheiro – parte 2

Eu sou o caminheiro,

Sou aquele que se desenvolve na cultura do caminhar e nela se camufla… um sujeito.

Sou aquele que segue rumo ao mesmo lugar que o outro… sempre.

Sou quem faço o meu caminho, na ilusão de fazê-lo… sou quem copia.

Sou a própria utopia.

Sou aquele que vislumbra um ideal, crê mudá-lo, reconfigurá-lo, transmutá-lo, indagá-lo… sou o mesmo.

Sou aquele que, em nome de uma ou várias ciências, caminha… e caminha…

Sou um homem do meu tempo, um jovem da minha ciência, um menino da minha filosofia… mais um.

Sou o crente, o cego, o viciado, o induzido… sou o fraco.

Sou o eloquente, o elo, o influente… sou o forte.

Sou tudo… todo o caminho sou eu e eu ele…

Não sou o sujeito do meu caminho.. o caminho é o que me modela e eu a ele… somos dialéticos.

Assim sou… caminheiro.

Assim somos.

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E assim caminha a humanidade: a metáfora do caminheiro – parte 1

 

E assim caminha a humanidade…

Aquele que caminha

Sobre as fortes pegadas dos que já estão adiante, pisamos rumo ao mesmo lugar. Marcamos o chão de modo que os sucessores caminhem e marchamos sempre para o mesmo rumo: o ideal!

A marcha é lenta, alguns caminham de lado, outros caminham metodicamente em passos compassados, uns correm, outros andam de costas, ao contrário da maioria. Alguns, no meio do caminho, acham-se bons demais e ousam, andam pelos ombros dos outros e alguns nem andam, são carregados nas costas. Pode ser que alguns tentem atalhos, inútil. Outros desistem da caminhada e saem, sem mesmo serem notados ou deixando profundas marcas sob as quais outros irão caminhar.

Cada um segue a marcha rumo ao ideal conforme crê nisto. Alguns, sujeitos das plurais ciências e da filosofia, questionam, mensuram, calculam, insistem, desistem… todos no fluxo… no velho e retórico caminhar que, em si mesmo, revela seus meandros.

Alguns creem que o ideal é o fim teleológico de todo o caminhar, é o que impulsiona, o combustível do sempre caminhar. Para uns, o ideal é o fim, o fim biológico, existencial enquanto que para outros, é o início, a certeza de uma nova vida, novo caminhar, nova jornada.

A humanidade assim caminha e deixa pegadas profundas de modo a nos caracterizar ontológica e praticamente. Assim somos, perseguidores de pegadas, eternos caminhantes em busca de um ideal!

Da história do Super Jeca e sua filosofia

Creio que era noite, mas a nossa memória, a vivacidade das palavras, dos fatos e dos momentos nos pregava peça… era dia!

Quem éramos/somos nós?

Estudantes, pesquisadores jovens, incomodados, perturbados com o ao redor, pensadores pensativos… éramos mentes abertas recebendo estímulos do mundo, tudo que se afirmava então de natureza perceptível pelos sentidos, e assim o era, era por nós apropriado. Éramos o próprio mundo pensando sobre ele.

O Super Jeca é simples e simples é sua forma de ver o mundo. Simples não é desprovido de rigor, de critérios, de exigência… mas dispensa a vaidade, a doutrinação, a dominação e a opressão. O Super Jeca vive em consonância com seu meio e eternamente incomodado com este, de modo que seu ato de bravura e de radicalização seja a transformação. Reconhece-se no mundo e, como parte viva dele, sente suas dores e canta seus louvores.

Não se identifica um Super Jeca pela casca. É preciso confrontá-lo, desafiá-lo, pô-lo a falar!

Assim somos nós… andando com cuidado pelas palavras dos sábios eruditos e pondo em questionamento nossas concepções… reconhecendo-as como mutáveis, não-neutras, balizadoras nas ações…

Somos quem queremos ser, assumimos o que queremos assumir, refletimos sobre o que queremos refletir, falamos o que queremos falar e nos responsabilizamos por tudo isso! Querer não é poder, mas é a propulsão para tal!

Seja paulista, sul-matogrossense, baiano, goiano, branco, preto, amarelo, solteiro, amigado, homem, mulher, goste de feijoada e/ou de petit gâteau, fale, além do bom português, inglês, russo ou aramaico… esteja rotulado como estiver.. a pátria do Super Jeca é o solo que ele pisa e a bandeira que vê-se hasteada na sombra do seu corpo no chão. É brasileiro e é um jeca!

Rito de Passagem

Sob minhas lentes

Começo minha explanação fazendo alguns apontamentos sobre o título do blog: Super Jeca. O titulo foi escolhido pela reflexão sobre como e de onde vemos o mundo. Jeca Tatu, um personagem criado por Monteiro Lobato, não é apenas uma figura que arrancou risos de milhares de brasileiros há algumas décadas. Na sua genuinidade, Jeca Tatu, traz consigo toda a herança sociocultural de um interior do Brasil pouco assistido pela legislação e órgãos públicos, estando assim entregue à própria sorte, galgando pela terra seca, com um semblante cansado e inocente, um humor matuto e tranquilo, pensando pouco nas dores da vida, mas expondo-as, no ato artístico e literário do idealizador, as mazelas do país. Não é este apenas um jeca, no termo pejorativo, é um Super Jeca, um resistente! E é a partir dessa reflexão, assumindo-nos como resistentes do movimento de invasão sistêmica e buscando os últimos dos girassóis (quem sabe um campo deles) nesse universo multifacetado.

Partiremos então de uma compreensão do Universo, do macro, nos localizando e moldando o nosso ser/estar neste local. Sobre qual universo estamos falando? O universo cosmo-cronológico que intriga a humanidade desde que aprendeu a olhar para os céus?  Um universo concebido por esta experiência que deixou de ser uma mera apreciação sensorial e passou a ter um caráter especulativo, exploratório, místico e multiforme? De qual concepção de universo estamos falando?

Sustento-me então, por conta das abstrações desnecessárias para o momento e pela natureza física e metafísica milenarmente polêmica da ideia de universo, que estamos falando do universo em rede, da internet. Nesse aspecto, uso do argumento de que nesse espaço podemos ser quem quisermos, escrever o que quisermos, ao gosto ou desgosto de quem quiser. Assim sendo, penso que este universo também não é restrito, pois, assim como a máxima do papel que aceita tudo, os blogs, sites, perfis estão soltos por aí e também aceitam tudo. Diria que a situação é ainda mais dramática… aceita e compartilha (quase) tudo.

Por conta dessa fonte inesgotável de informações de todas as naturezas e responsabilidades, é inevitável nos depararmos com verdadeiras atrocidades como notícias sensacionalistas, opiniões mal (ou nem) embasadas, argumentos fracos e inconsistentes, depreciação da ciência, da filosofia e todas as outras áreas do conhecimento, falta de responsabilidade e respeito com o leitor e por aí vai o show de horrores. Um olhar mais crítico e apurado sobre esses aspectos é fundamental para o bom navegar.

Assim sendo, me arrisco no meu primeiro artigo para um blog, sobre o qual eu deposito minha confiança, a levantar esse tipo de provocação e justificar a minha apresentação diante do que eu chamo de Grande Público, isto é, o prezado leitor e os demais que serão influenciados pela leitura. Venho de “cara limpa” com intenção de informar, opinar, formar opiniões (e deformar talvez) e travar discussões teóricas e filosóficas caso forem necessárias. Pretendo me dedicar a levantar questões diversas sobre a física enquanto filosofia natural; a física moderna e seus desdobramentos na sociedade; questões filosóficas sobre teorias científicas, ciência, tecnologia, meio ambiente, desenvolvimento humano; Educação para a Ciência; Ensino de Física; o ato político desafiador de ensinar; o papel do professor, da escola, do aluno, de pesquisador… enfim, por questões de formação, tendo a me dedicar a assuntos nessa natureza. Não temo que meu discurso pareça utópico ou revolucionário desde que haja o feedback necessário para “pôr meus pés no chão” e que este seja embasado suficientemente para tal.

Esta é mais ou menos a minha forma de me ver enquanto escritor desse blog e esta é a declaração do que eu assumo aqui neste espaço.

Sem mais.

Paulo Gabriel F. dos Santos