Sobre voltas, berinjelas e filosofia

Bom, para iniciar minha modesta participação neste blog totalmente comandado pela opinião de uma cara uber Advanced inteligente que o criou, venho me apresentar e deixar um pouco da minha opinião sobre o que ainda não sabemos que vamos falar.

Acredito que a cada volta que esse planeta que ora habitamos executa, cada um de nós tem a oportunidade de mudar de direção, mas esse momento é ínfimo em cada espaço de tempo e temos que saber identificá-lo. Mas como? Se parássemos as vezes pra perceber o mundo que nos passa ao redor todos os dias nesse momento ínfimo, talvez conseguíssemos perceber quantas oportunidades nos são postas de fronte ao nariz. Começo então falando de voltas, as voltas que o planeta dá, as voltas da bailarina, as voltas que fazemos para entender coisas que deixamos passar, enfim, o ato de voltar nos torna tão especiais a ponto de que arrependimento é um sentimento obsoleto, visto que é mais simples consertar equívocos passados que esperar que o mundo dê mais uma volta.

Mas pra mim o mais interessante de poder e querer falar sobre ciência e filosofia é a oportunidade de entender as berinjelas de todos os dias. Sabe aquelas situações que de primeira vista nos parecem bastante amargas, mas que dependem em grande grau de como você a percebe?Eu aprendi a fazer uma bela lazanha com cada berinjela amarga que me colocam, porque creio – eu creio, tu creias, ele creia, nós creiemos, vós creieis e eles creiam, sempre creiando coisas novas e mirabolantes – que somo responsáveis por aqueles aos quais ofereceremos nossas palavras, ou seja, aqueles que provarão nossas lazanhas de berinjelas amargas.

Assim sendo, tento agora ligar todas essas baboseiras com  o objetivo desse blog, a saber, discutir ciência e filosofia no seu mais alto níveis de abstração e descompromisso com os filósofos gregos aos quais 50% dos autores desse blog se dedicam. Eu, Jaum, o fio da dona Bulinha, no seu mais humilde ato de indagar, vem aqui para contribuir tentando encontrar uma breve ligação, uma linha tênue que liga esse maravilhoso universo da ciência com os nossos pequenos e simples atos cotidianos, aos quais eu dou muita importância e que podem fazem com que nosso desavisado – ou se avisado, digno e terapia – leitor possa reunir cada palavra da filosofia aqui discutida para entender porque podemos até mesmo imaginar universos paralelos se entendermos as voltas, as berinjelas e porque tudo isso não existiria se não fôssemos capazes de  filosofar.

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Rito de Passagem

Sob minhas lentes

Começo minha explanação fazendo alguns apontamentos sobre o título do blog: Super Jeca. O titulo foi escolhido pela reflexão sobre como e de onde vemos o mundo. Jeca Tatu, um personagem criado por Monteiro Lobato, não é apenas uma figura que arrancou risos de milhares de brasileiros há algumas décadas. Na sua genuinidade, Jeca Tatu, traz consigo toda a herança sociocultural de um interior do Brasil pouco assistido pela legislação e órgãos públicos, estando assim entregue à própria sorte, galgando pela terra seca, com um semblante cansado e inocente, um humor matuto e tranquilo, pensando pouco nas dores da vida, mas expondo-as, no ato artístico e literário do idealizador, as mazelas do país. Não é este apenas um jeca, no termo pejorativo, é um Super Jeca, um resistente! E é a partir dessa reflexão, assumindo-nos como resistentes do movimento de invasão sistêmica e buscando os últimos dos girassóis (quem sabe um campo deles) nesse universo multifacetado.

Partiremos então de uma compreensão do Universo, do macro, nos localizando e moldando o nosso ser/estar neste local. Sobre qual universo estamos falando? O universo cosmo-cronológico que intriga a humanidade desde que aprendeu a olhar para os céus?  Um universo concebido por esta experiência que deixou de ser uma mera apreciação sensorial e passou a ter um caráter especulativo, exploratório, místico e multiforme? De qual concepção de universo estamos falando?

Sustento-me então, por conta das abstrações desnecessárias para o momento e pela natureza física e metafísica milenarmente polêmica da ideia de universo, que estamos falando do universo em rede, da internet. Nesse aspecto, uso do argumento de que nesse espaço podemos ser quem quisermos, escrever o que quisermos, ao gosto ou desgosto de quem quiser. Assim sendo, penso que este universo também não é restrito, pois, assim como a máxima do papel que aceita tudo, os blogs, sites, perfis estão soltos por aí e também aceitam tudo. Diria que a situação é ainda mais dramática… aceita e compartilha (quase) tudo.

Por conta dessa fonte inesgotável de informações de todas as naturezas e responsabilidades, é inevitável nos depararmos com verdadeiras atrocidades como notícias sensacionalistas, opiniões mal (ou nem) embasadas, argumentos fracos e inconsistentes, depreciação da ciência, da filosofia e todas as outras áreas do conhecimento, falta de responsabilidade e respeito com o leitor e por aí vai o show de horrores. Um olhar mais crítico e apurado sobre esses aspectos é fundamental para o bom navegar.

Assim sendo, me arrisco no meu primeiro artigo para um blog, sobre o qual eu deposito minha confiança, a levantar esse tipo de provocação e justificar a minha apresentação diante do que eu chamo de Grande Público, isto é, o prezado leitor e os demais que serão influenciados pela leitura. Venho de “cara limpa” com intenção de informar, opinar, formar opiniões (e deformar talvez) e travar discussões teóricas e filosóficas caso forem necessárias. Pretendo me dedicar a levantar questões diversas sobre a física enquanto filosofia natural; a física moderna e seus desdobramentos na sociedade; questões filosóficas sobre teorias científicas, ciência, tecnologia, meio ambiente, desenvolvimento humano; Educação para a Ciência; Ensino de Física; o ato político desafiador de ensinar; o papel do professor, da escola, do aluno, de pesquisador… enfim, por questões de formação, tendo a me dedicar a assuntos nessa natureza. Não temo que meu discurso pareça utópico ou revolucionário desde que haja o feedback necessário para “pôr meus pés no chão” e que este seja embasado suficientemente para tal.

Esta é mais ou menos a minha forma de me ver enquanto escritor desse blog e esta é a declaração do que eu assumo aqui neste espaço.

Sem mais.

Paulo Gabriel F. dos Santos