Dos libertadores da América e a figura do novo libertador

A famigerada “Libertadores da América” é um torneio futebolístico que geralmente agrega os vencedores dos campeonatos nacionais para uma disputa entre países sul-americanos e México. Um esclarecimento desnecessário, claro, pelo menos para a maioria dos brasileiros que sabem os dados de todas as tabelas, todos os times, se o seu time está ou não escalado ou qual pontuação tal time precisa para se chegar a este torneio.

Eu não sei.

O que me leva a este esclarecimento quase desnecessário para o povo brasileiro em geral é a necessidade de pontuar algumas coisas:

Não sei também se é uma novidade só pra mim, mas o nome escolhido do torneio (a bandeira “libertadores da américa”) foi uma homenagem aos líderes da independência dos principais países latino-americanos, que durante muito tempo viveram sob a condição de colônia, sendo controlados por nações européias. Entre os homenageados estão Simón Bolívar, Dom Pedro I, José de San Martín, Antonio José de Sucre e Bernardo O’Higgin. (Fonte: UOL)

Não sei se isso é uma novidade só pra mim, mas desde 2008 o nome oficial deste torneio é “Copa Santander Libertadores”. Em homenagem ao benfeitor, digo patrocinador, do torneio, o Grupo espanhol Santander.

Não sei se só eu percebi, mas existe um problema aqui. Um torneio resolve laurear os líderes das independências dos países latino-americanos que viviam em regime de colônia de nações europeias, como Portugal e Espanha, e depois de alguns anos, resolve esquecer (pela força do dinheiro que é exorbitante) e homenageia, no título do torneio, uma empresa espanhola (daquela mesma Espanha dos nossos “descobridores”) que já vem alastrando a sua área de abordagem ao longo dos anos: compra do Banco Real, inserção nas universidades públicas (financiamentos de pesquisas, bolsas de internacionalização, carteirinha de estudante…), ações de recrutamento massivo de correntistas e por aí vai. Mas quem se importa com a história?

A ideia de união entre os Países Latino-Americanos é histórica, como a criação do MERCOSUL, da UNILA, do CELAC (com a participação do Caribe), por exemplo, que preveem a organização destes países, a integração regional, o intercâmbio de conhecimentos, assumir desafios em comum e de forma conjunta, a construção de uma identidade Latino-Americana. Afinal já dizia a máxima popular: povo que sofre é unido!

Pela via governamental, institucional, diversos acordos são assinados e afirmados. Conforme o entendimento dos Chefes de Estados, dos “representantes do povo”, do que é melhor para os países, documentos são assinados e coisas acontecem.

Mas vamos falar de coisa boa. Politicar é chato. O que eu tenho a ver com isso? O importante ó o meu esporte, é o meu time ganhar o campeonato brasileiro e conseguir uma vaga na libertadores. Afinal, quem vai nos libertar do tédio e da correria da vida diária se não o Corinthians, Boca Juniors? Eu já tenho muita coisa pra pensar e muitos “abacaxis pra descascar” em casa, no trabalho. Eu quero mais é me sentar em frente à boa e velha tevê e torcer para o meu time (se não é meu time, é pelo Brasil. Afinal, é contra a Argentina e eu adoro clássicos). O que me liberta é soltar rojões noite adentro, é gritar, é buzinar. Isso extravasa, sabe? O que me liberta mesmo é gritar Curintiaaaaaaaaa no facebook. É dessa liberdade que eu preciso.

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O Paraguai sofreu um Golpe de Estado! Onde fica o Paraguai mesmo? Pra que serve este país se não para sustentar a nossa vontade de possuir coisas com uma taxa tributária muito menor que no Brasil (a qualidade a gente certifica durante o uso). Quem quer que esteja governando o Paraguai, agora, não vai querer vetar uma importante fonte de renda para o país que é “as muamba”. Como eu acho que não existe outra fonte de riqueza para aquele lugar, então, eu não me importo, desde que os verdadeiros libertadores, os atuais, Corinthians e Boca Juniors façam o que deve ser feito: Libertar a América.

A fórmula é simples e eficiente: Tem dinheiro europeu aplicado (e muito), são times campeões em seus países, a América Latina está unida pelo amor e rivalidade, não tem como isso não dar certo!

E assim nossos libertadores vão se mostrando a que se dedicam. Assim o povo Latino Americano vai mostrando em quais bases sua união se edifica. Assim, a crítica forte da Latino América vai se tornando vulto e se agrega aos libertadores do passado.

Afinal, não somos mais colonizados, então pra que se preocupar? Liberte-se!

E assim caminha a humanidade: a metáfora do caminheiro – parte 2

Eu sou o caminheiro,

Sou aquele que se desenvolve na cultura do caminhar e nela se camufla… um sujeito.

Sou aquele que segue rumo ao mesmo lugar que o outro… sempre.

Sou quem faço o meu caminho, na ilusão de fazê-lo… sou quem copia.

Sou a própria utopia.

Sou aquele que vislumbra um ideal, crê mudá-lo, reconfigurá-lo, transmutá-lo, indagá-lo… sou o mesmo.

Sou aquele que, em nome de uma ou várias ciências, caminha… e caminha…

Sou um homem do meu tempo, um jovem da minha ciência, um menino da minha filosofia… mais um.

Sou o crente, o cego, o viciado, o induzido… sou o fraco.

Sou o eloquente, o elo, o influente… sou o forte.

Sou tudo… todo o caminho sou eu e eu ele…

Não sou o sujeito do meu caminho.. o caminho é o que me modela e eu a ele… somos dialéticos.

Assim sou… caminheiro.

Assim somos.

SOBRE AS ESTRADAS DA CIDADE PEQUENA_A METÁFORA DO CAMINHEIRO, PARTE 1.1

SOBRE QUEM CAMINHA PESA A EXTENSÃO DOS CAMINHOS, QUE PODEM SER GRANDES VIAS QUE LEVAM AO LONGE OU AQUELAS PEQUENAS ESTRADINHAS QUE LIGAM DOIS PONTOS TÃO PRÓXIMOS QUE PODERÍAMOS MUITO BEM CHEGAR PELO CAMINHOZINHO QUE ATRAVESSAVA A LINHA DO TREM… SINCERAMENTE, TENHO VISTO QUE AS PESSOAS INCOMPREENSIVELMENTE TEM OPTADO POR CHEGAR A LUGARES DISTANTES, MAS […]

E assim caminha a humanidade: a metáfora do caminheiro – parte 1

 

E assim caminha a humanidade…

Aquele que caminha

Sobre as fortes pegadas dos que já estão adiante, pisamos rumo ao mesmo lugar. Marcamos o chão de modo que os sucessores caminhem e marchamos sempre para o mesmo rumo: o ideal!

A marcha é lenta, alguns caminham de lado, outros caminham metodicamente em passos compassados, uns correm, outros andam de costas, ao contrário da maioria. Alguns, no meio do caminho, acham-se bons demais e ousam, andam pelos ombros dos outros e alguns nem andam, são carregados nas costas. Pode ser que alguns tentem atalhos, inútil. Outros desistem da caminhada e saem, sem mesmo serem notados ou deixando profundas marcas sob as quais outros irão caminhar.

Cada um segue a marcha rumo ao ideal conforme crê nisto. Alguns, sujeitos das plurais ciências e da filosofia, questionam, mensuram, calculam, insistem, desistem… todos no fluxo… no velho e retórico caminhar que, em si mesmo, revela seus meandros.

Alguns creem que o ideal é o fim teleológico de todo o caminhar, é o que impulsiona, o combustível do sempre caminhar. Para uns, o ideal é o fim, o fim biológico, existencial enquanto que para outros, é o início, a certeza de uma nova vida, novo caminhar, nova jornada.

A humanidade assim caminha e deixa pegadas profundas de modo a nos caracterizar ontológica e praticamente. Assim somos, perseguidores de pegadas, eternos caminhantes em busca de um ideal!

Da história do Super Jeca e sua filosofia

Creio que era noite, mas a nossa memória, a vivacidade das palavras, dos fatos e dos momentos nos pregava peça… era dia!

Quem éramos/somos nós?

Estudantes, pesquisadores jovens, incomodados, perturbados com o ao redor, pensadores pensativos… éramos mentes abertas recebendo estímulos do mundo, tudo que se afirmava então de natureza perceptível pelos sentidos, e assim o era, era por nós apropriado. Éramos o próprio mundo pensando sobre ele.

O Super Jeca é simples e simples é sua forma de ver o mundo. Simples não é desprovido de rigor, de critérios, de exigência… mas dispensa a vaidade, a doutrinação, a dominação e a opressão. O Super Jeca vive em consonância com seu meio e eternamente incomodado com este, de modo que seu ato de bravura e de radicalização seja a transformação. Reconhece-se no mundo e, como parte viva dele, sente suas dores e canta seus louvores.

Não se identifica um Super Jeca pela casca. É preciso confrontá-lo, desafiá-lo, pô-lo a falar!

Assim somos nós… andando com cuidado pelas palavras dos sábios eruditos e pondo em questionamento nossas concepções… reconhecendo-as como mutáveis, não-neutras, balizadoras nas ações…

Somos quem queremos ser, assumimos o que queremos assumir, refletimos sobre o que queremos refletir, falamos o que queremos falar e nos responsabilizamos por tudo isso! Querer não é poder, mas é a propulsão para tal!

Seja paulista, sul-matogrossense, baiano, goiano, branco, preto, amarelo, solteiro, amigado, homem, mulher, goste de feijoada e/ou de petit gâteau, fale, além do bom português, inglês, russo ou aramaico… esteja rotulado como estiver.. a pátria do Super Jeca é o solo que ele pisa e a bandeira que vê-se hasteada na sombra do seu corpo no chão. É brasileiro e é um jeca!

Sobre voltas, berinjelas e filosofia

Bom, para iniciar minha modesta participação neste blog totalmente comandado pela opinião de uma cara uber Advanced inteligente que o criou, venho me apresentar e deixar um pouco da minha opinião sobre o que ainda não sabemos que vamos falar.

Acredito que a cada volta que esse planeta que ora habitamos executa, cada um de nós tem a oportunidade de mudar de direção, mas esse momento é ínfimo em cada espaço de tempo e temos que saber identificá-lo. Mas como? Se parássemos as vezes pra perceber o mundo que nos passa ao redor todos os dias nesse momento ínfimo, talvez conseguíssemos perceber quantas oportunidades nos são postas de fronte ao nariz. Começo então falando de voltas, as voltas que o planeta dá, as voltas da bailarina, as voltas que fazemos para entender coisas que deixamos passar, enfim, o ato de voltar nos torna tão especiais a ponto de que arrependimento é um sentimento obsoleto, visto que é mais simples consertar equívocos passados que esperar que o mundo dê mais uma volta.

Mas pra mim o mais interessante de poder e querer falar sobre ciência e filosofia é a oportunidade de entender as berinjelas de todos os dias. Sabe aquelas situações que de primeira vista nos parecem bastante amargas, mas que dependem em grande grau de como você a percebe?Eu aprendi a fazer uma bela lazanha com cada berinjela amarga que me colocam, porque creio – eu creio, tu creias, ele creia, nós creiemos, vós creieis e eles creiam, sempre creiando coisas novas e mirabolantes – que somo responsáveis por aqueles aos quais ofereceremos nossas palavras, ou seja, aqueles que provarão nossas lazanhas de berinjelas amargas.

Assim sendo, tento agora ligar todas essas baboseiras com  o objetivo desse blog, a saber, discutir ciência e filosofia no seu mais alto níveis de abstração e descompromisso com os filósofos gregos aos quais 50% dos autores desse blog se dedicam. Eu, Jaum, o fio da dona Bulinha, no seu mais humilde ato de indagar, vem aqui para contribuir tentando encontrar uma breve ligação, uma linha tênue que liga esse maravilhoso universo da ciência com os nossos pequenos e simples atos cotidianos, aos quais eu dou muita importância e que podem fazem com que nosso desavisado – ou se avisado, digno e terapia – leitor possa reunir cada palavra da filosofia aqui discutida para entender porque podemos até mesmo imaginar universos paralelos se entendermos as voltas, as berinjelas e porque tudo isso não existiria se não fôssemos capazes de  filosofar.

Rito de Passagem

Sob minhas lentes

Começo minha explanação fazendo alguns apontamentos sobre o título do blog: Super Jeca. O titulo foi escolhido pela reflexão sobre como e de onde vemos o mundo. Jeca Tatu, um personagem criado por Monteiro Lobato, não é apenas uma figura que arrancou risos de milhares de brasileiros há algumas décadas. Na sua genuinidade, Jeca Tatu, traz consigo toda a herança sociocultural de um interior do Brasil pouco assistido pela legislação e órgãos públicos, estando assim entregue à própria sorte, galgando pela terra seca, com um semblante cansado e inocente, um humor matuto e tranquilo, pensando pouco nas dores da vida, mas expondo-as, no ato artístico e literário do idealizador, as mazelas do país. Não é este apenas um jeca, no termo pejorativo, é um Super Jeca, um resistente! E é a partir dessa reflexão, assumindo-nos como resistentes do movimento de invasão sistêmica e buscando os últimos dos girassóis (quem sabe um campo deles) nesse universo multifacetado.

Partiremos então de uma compreensão do Universo, do macro, nos localizando e moldando o nosso ser/estar neste local. Sobre qual universo estamos falando? O universo cosmo-cronológico que intriga a humanidade desde que aprendeu a olhar para os céus?  Um universo concebido por esta experiência que deixou de ser uma mera apreciação sensorial e passou a ter um caráter especulativo, exploratório, místico e multiforme? De qual concepção de universo estamos falando?

Sustento-me então, por conta das abstrações desnecessárias para o momento e pela natureza física e metafísica milenarmente polêmica da ideia de universo, que estamos falando do universo em rede, da internet. Nesse aspecto, uso do argumento de que nesse espaço podemos ser quem quisermos, escrever o que quisermos, ao gosto ou desgosto de quem quiser. Assim sendo, penso que este universo também não é restrito, pois, assim como a máxima do papel que aceita tudo, os blogs, sites, perfis estão soltos por aí e também aceitam tudo. Diria que a situação é ainda mais dramática… aceita e compartilha (quase) tudo.

Por conta dessa fonte inesgotável de informações de todas as naturezas e responsabilidades, é inevitável nos depararmos com verdadeiras atrocidades como notícias sensacionalistas, opiniões mal (ou nem) embasadas, argumentos fracos e inconsistentes, depreciação da ciência, da filosofia e todas as outras áreas do conhecimento, falta de responsabilidade e respeito com o leitor e por aí vai o show de horrores. Um olhar mais crítico e apurado sobre esses aspectos é fundamental para o bom navegar.

Assim sendo, me arrisco no meu primeiro artigo para um blog, sobre o qual eu deposito minha confiança, a levantar esse tipo de provocação e justificar a minha apresentação diante do que eu chamo de Grande Público, isto é, o prezado leitor e os demais que serão influenciados pela leitura. Venho de “cara limpa” com intenção de informar, opinar, formar opiniões (e deformar talvez) e travar discussões teóricas e filosóficas caso forem necessárias. Pretendo me dedicar a levantar questões diversas sobre a física enquanto filosofia natural; a física moderna e seus desdobramentos na sociedade; questões filosóficas sobre teorias científicas, ciência, tecnologia, meio ambiente, desenvolvimento humano; Educação para a Ciência; Ensino de Física; o ato político desafiador de ensinar; o papel do professor, da escola, do aluno, de pesquisador… enfim, por questões de formação, tendo a me dedicar a assuntos nessa natureza. Não temo que meu discurso pareça utópico ou revolucionário desde que haja o feedback necessário para “pôr meus pés no chão” e que este seja embasado suficientemente para tal.

Esta é mais ou menos a minha forma de me ver enquanto escritor desse blog e esta é a declaração do que eu assumo aqui neste espaço.

Sem mais.

Paulo Gabriel F. dos Santos